Arboviroses e mudanças climáticas: por que esse risco está aumentando?

As mudanças climáticas não alteram apenas o meio ambiente: elas também estão transformando a forma como as arboviroses se espalham. Neste artigo, entenda por que esse risco cresce a cada ano e como a Saúde Única é essencial para proteger pessoas, animais e ecossistemas.

 

O que são arboviroses e como elas são transmitidas? 

 

O termo refere-se a um grupo de doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por artrópodes, como mosquitos e carrapatos. A palavra arbovirose deriva de “arbovírus”, que significa “vírus transmitido por artrópodes”. Entre as arboviroses mais conhecidas estão a dengue, a chikungunya, a Zika, a febre amarela e a febre do Oropouche (clique em cada uma delas e saiba mais).

A transmissão ocorre quando um mosquito ou carrapato adquire o vírus ao picar um hospedeiro infectado e, posteriormente, passa a transmiti-lo para outros indivíduos. No Brasil, o principal vetor das arboviroses urbanas é o Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, da chikungunya e da Zika, enquanto a febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes.

Segundo o Ministério da Saúde, conhecer as formas de transmissão das arboviroses é essencial para fortalecer as ações de vigilância e prevenção, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que favorece a proliferação dos vetores.

 

Como as mudanças climáticas estão favorecendo a expansão das arboviroses?

 

As mudanças climáticas estão criando condições cada vez mais favoráveis para a proliferação dos vetores das arboviroses. O aumento das temperaturas acelera o desenvolvimento dos mosquitos, reduz o tempo necessário para que os vírus se tornem transmissíveis e prolonga o período de atividade desses insetos ao longo do ano.

Além disso, alterações no regime de chuvas e na umidade ampliam a disponibilidade de criadouros, favorecendo o crescimento das populações de mosquitos em diferentes ambientes.

 

Ciclo de vida do mosquito vetor das arboviroses, que se desenvolve em ambientes aquáticos antes de chegar à fase adulta.

 

Outro efeito importante é a expansão geográfica dos vetores. Regiões que antes apresentavam temperaturas mais baixas ou condições climáticas desfavoráveis passaram a oferecer ambientes adequados para a sobrevivência e reprodução desses mosquitos. Como consequência, áreas anteriormente consideradas de baixo risco passaram a registrar a circulação de arboviroses, ampliando os desafios para a vigilância em saúde.

Estudos mostram que variáveis como temperatura, precipitação e umidade influenciam diretamente a abundância dos vetores, sua distribuição e a dinâmica de transmissão dos arbovírus. Da mesma forma, pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados da USP destacam que o aquecimento global, associado às alterações climáticas e às condições socioambientais, tende a aumentar o risco de ocorrência e disseminação das arboviroses em diferentes regiões.

Mais recentemente, revisões científicas reforçam que os efeitos das mudanças climáticas sobre as arboviroses não se limitam ao aumento do número de casos. As transformações no clima também modificam a sazonalidade das doenças, favorecem o surgimento de surtos em novas localidades e tornam mais complexas as estratégias de prevenção e controle, exigindo ações integradas de vigilância ambiental, epidemiológica e climática.

 

Por que as arboviroses são um desafio para a Saúde Única?

 

As arboviroses representam um dos principais desafios para a Saúde Única no Brasil porque sua ocorrência depende da interação entre fatores humanos, animais e ambientais.

O avanço das mudanças climáticas, aliado à urbanização desordenada, ao desmatamento e às alterações nos ecossistemas, favorece a circulação dos vetores e dos vírus, aumentando o risco de surtos e ampliando os impactos para toda a sociedade. Compreender essas conexões é essencial para responder de forma mais eficiente às doenças transmitidas por vetores.

Na saúde humana, as arboviroses sobrecarregam os serviços de saúde, provocam hospitalizações e podem causar complicações graves, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Já na saúde animal, espécies silvestres atuam como hospedeiros naturais de alguns arbovírus e funcionam como importantes sentinelas para a vigilância epidemiológica, enquanto alterações na fauna e nos habitats podem modificar a dinâmica de transmissão dessas doenças.

Ao mesmo tempo, artigos científicos apontam que fatores urbano-arquitetônicos e socioeconômicos, somados à degradação ambiental, a perda da biodiversidade e as mudanças no uso do solo criam condições favoráveis para a proliferação dos vetores, evidenciando que a saúde dos ecossistemas está diretamente relacionada à saúde das populações.

Por isso, o enfrentamento das arboviroses exige uma vigilância integrada, baseada nos princípios da Saúde Única. Isso significa reunir informações sobre clima, circulação de vetores, ocorrência de casos em humanos e animais, além do monitoramento ambiental, permitindo identificar áreas de risco e orientar ações preventivas antes que surtos ocorram.

 

Como evitar arboviroses diante das mudanças climáticas? 

 

À medida que as mudanças climáticas favorecem a proliferação dos vetores e ampliam a circulação das arboviroses, prevení-las exige mais do que ações pontuais. Sob a perspectiva da Saúde Única, é necessário integrar estratégias que fortaleçam a capacidade de responder rapidamente a possíveis surtos.

Artista Mayaju – Imagem ilustrativa de como diferentes recipientes e ambientes podem se tornar criadouros para mosquitos. A eliminação da água parada é uma das principais medidas de prevenção.

Entre as principais medidas de prevenção estão:

  • Eliminar recipientes que possam acumular água e servir de criadouros para mosquitos;
  • Fortalecer a vigilância epidemiológica, entomológica e ambiental;
  • Monitorar fatores climáticos, como temperatura, chuvas e umidade, que influenciam a dinâmica dos vetores;
  • Promover ações de educação em saúde para conscientizar a população sobre a prevenção;
  • Preservar os ecossistemas e reduzir impactos ambientais que favorecem a expansão dos vetores.

Combinar essas estratégias é a forma mais eficaz de reduzir o risco de arboviroses em um cenário de mudanças climáticas. Ao integrar monitoramento climático, vigilância em saúde e conservação ambiental, é possível identificar áreas de maior risco, orientar ações preventivas e proteger, de forma conjunta, a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.

 

Eventos extremos, como enchentes, podem alterar as condições ambientais e afetar a saúde de pessoas e animais, além de favorecer mudanças na dinâmica de vetores e doenças. – GRAD Brasil, Missão Rio Grande do Sul (2024)

 

Quando a Saúde Única vira ação, todos ganham!

Enfrentar as arboviroses exige informação, prevenção e trabalho integrado. É isso que o GRAD Brasil promove por meio de iniciativas que unem saúde humana, saúde animal e conservação ambiental para reduzir riscos e fortalecer a resiliência das comunidades. Conheça nossas missões e operações baseadas em Saúde Única.

 

Escrito por: Manoel Pontes – Greenbond Conservation

Revisado por: Juliana Badari – Greenbond Conservation

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