Manejo de animais resgatados: por que cada um precisa de um cuidado único?
O manejo de animais resgatados em desastres envolve avaliação individual, isolamento sanitário, identificação e definição de abrigamento compatível com a espécie, idade e comportamento de cada indivíduo. Neste artigo, entenda por que o manejo de animais faz toda a diferença nessa etapa.
O que é manejo de animais e por que ele é importante após o resgate?
O manejo de animais reúne os cuidados e procedimentos necessários para garantir a saúde, a segurança e o bem-estar dos indivíduos durante o atendimento, o transporte e o período de abrigamento.
Em situações de desastre, esse trabalho vai além da retirada dos animais da área de risco: envolve avaliar as condições de cada indivíduo e definir a forma mais adequada de acolhimento, considerando suas necessidades físicas, sanitárias e comportamentais.
De acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal, o bem-estar depende de fatores como acesso à água e à alimentação, condições adequadas de abrigo, prevenção de doenças, cuidados veterinários e possibilidade de expressar comportamentos naturais. Estes princípios ajudam a compreender por que o manejo precisa ser planejado e adaptado às características de cada animal, sobretudo após os resgates.
No GRAD Brasil, essa avaliação é fundamental para definir quais animais podem compartilhar o mesmo espaço, quais precisam de cuidados específicos e em quais situações o isolamento sanitário é necessário. Afinal, reunir todos os indivíduos em um único ambiente, sem considerar suas condições de saúde e compatibilidade comportamental, pode favorecer a transmissão de doenças, aumentar o estresse e provocar conflitos.
Definir o abrigamento adequado faz parte do manejo de animais
Definir o abrigamento adequado exige avaliar as necessidades de cada animal antes de decidir onde e com quais indivíduos ele ficará.
Espécie, idade, sexo, condição de saúde, comportamento e vínculos sociais são fatores que orientam essa decisão. Em situações de desastre, essa avaliação é fundamental para reduzir riscos e garantir condições adequadas de acolhimento.
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, as diretrizes para o acolhimento de cães e gatos em desastres incluem triagem clínica, identificação, registro e separação preventiva dos animais que apresentam sinais de doenças infectocontagiosas.
Quando necessário, esses indivíduos devem permanecer em espaços reservados, com medidas de higiene e desinfecção para reduzir o risco de transmissão.
A definição do espaço também precisa considerar características individuais. Filhotes, idosos, gestantes, animais debilitados ou em tratamento podem precisar de ambientes e cuidados específicos.
Da mesma forma, indivíduos que apresentam medo, estresse ou comportamento agressivo podem necessitar de alojamento separado, enquanto animais que já conviviam e possuem vínculos sociais podem permanecer juntos, desde que essa convivência seja segura.
O comportamento e os vínculos sociais também devem ser considerados
O comportamento dos animais é um fator importante na definição do abrigamento. Alguns indivíduos convivem bem em grupo, outros podem apresentar medo, estresse, agressividade ou disputa por alimento e espaço quando colocados em ambientes compartilhados.
Nesse contexto, o manejo de animais deve considerar não apenas as condições de saúde, mas também as necessidades comportamentais de cada indivíduo. Por isso, antes de reunir animais em um abrigo temporário, é necessário avaliar a compatibilidade entre eles e observar como reagem à presença de outros indivíduos.

Cãs acolhidos em abrigo temporário durante atuação do GRAD Brasil
As orientações da Organização Mundial de Saúde Animal sobre bem-estar também destacam a importância de proporcionar condições que permitam aos animais expressar comportamentos naturais e reduzir situações que provoquem medo, sofrimento ou desconforto.
Entretanto, separar todos os animais também não é a solução. Cães, gatos e outros animais que já conviviam podem apresentar vínculos sociais importantes, e a separação pode aumentar o estresse em determinadas situações.
Sempre que as condições sanitárias e comportamentais permitirem, preservar esses vínculos deve fazer parte da avaliação. O objetivo é encontrar um equilíbrio entre a segurança coletiva e as necessidades individuais, garantindo que o abrigamento ofereça condições adequadas de bem-estar durante todo o período de atendimento.
Identificação animal: um passo importante para o reencontro com tutores
A identificação animal é uma etapa essencial no atendimento após desastres, pois permite registrar cada indivíduo e acompanhar seu histórico desde o resgate até o atendimento e o abrigamento temporário.
Informações como características físicas, local onde foi encontrado, condições de saúde e número de registro ajudam a organizar os cuidados e a manter o controle dos animais atendidos.
Em situações de emergência, como enchentes e deslizamentos, animais podem ser separados de suas famílias durante evacuações ou deslocamentos para áreas seguras. Por isso, manter registros organizados e utilizar métodos adequados de identificação facilita a consulta às informações e a busca pelos tutores.
Essa prática também contribui para evitar trocas de informações e garantir maior segurança durante o atendimento. Identificar cada animal significa ir além do acompanhamento durante o resgate: é também preservar a possibilidade de reencontro com sua família.
Afinal, a resposta a um desastre não se limita a retirar os animais da área de risco, mas deve incluir medidas que favoreçam sua proteção e, sempre que possível, sua reunificação com os tutores.
Protocolos e equipes preparadas para o manejo de animais fazem a diferença no resgate
O resgate de animais em situações de desastre exige muito mais do que disposição para ajudar. É necessário contar com protocolos bem definidos, equipes capacitadas, equipamentos adequados e estrutura para garantir que o atendimento continue após a retirada dos animais da área de risco.

Gato recebe atendimento veterinário, etapa fundamental para garantir cuidados individualizados após o resgate
No Brasil, o Plano Nacional de Contingência de Desastres em Massa Envolvendo Animais reúne diretrizes para etapas como resgate, assistência veterinária, transporte e destinação dos animais.
Na prática, isso significa que as equipes precisam estar preparadas para avaliar cada situação, identificar os indivíduos, prestar os cuidados necessários e definir condições seguras de abrigo. Essa preparação também envolve recursos para alimentação, hidratação, tratamento e acompanhamento, além de medidas de prevenção sanitária.
A Lei nº 15.355/2026, que instituiu a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados, reforça a importância de estruturar o acolhimento e o manejo dos animais afetados por emergências e desastres. Também é importante destacar o papel do planejamento prévio e da articulação entre serviços veterinários, poder público e organizações envolvidas na resposta a essas situações.

Reencontro entre tutora e seu animal após atuação do GRAD Brasil
É nesse contexto que o trabalho do GRAD Brasil se torna tão importante. Manter protocolos atualizados, equipes preparadas e recursos disponíveis permite responder às emergências com organização e oferecer os cuidados necessários em cada etapa do atendimento.
Constantemente, nossa equipe também oferta cursos presenciais com foco em saúde animal, manejo e técnicas de resgate, ministrados por especialistas, proporcionando uma experiência completa e acessível para profissionais de todo o Brasil.
Essa estrutura, porém, depende de apoio contínuo para estar disponível quando uma nova situação de risco acontecer. Ao contribuir com uma doação, você ajuda o GRAD Brasil a manter sua capacidade de resposta e a continuar protegendo animais em situações de desastre.
Ajude o GRAD Brasil a continuar preparado para atuar quando uma emergência acontece. Clique aqui e veja como contribuir!
Escrito por: Manoel Pontes – Greenbond Conservation
Revisado por: Juliana Badari – Greenbond Conservation